Entre os quatro bairros desta seção, Vargem Grande é o que torna a cadeia dominial mais literal: ela é uma das três fazendas beneditinas — Camorim, Vargem Grande e Vargem Pequena — que o Banco de Crédito Móvel adquiriu em 1891. Estudar a origem de Vargem Grande é estudar diretamente o patrimônio do BCM.
É também o bairro que melhor preservou seu caráter rural. Aos pés do Maciço da Pedra Branca, mantém sítios, agricultura, cachoeiras e um quilombo histórico dentro da maior floresta urbana do mundo.
Seção 01O Engenho do Camorim (1622)
A origem remonta à enorme sesmaria de Gonçalo Correia de Sá, proprietário do Engenho do Camorim, criado por volta de 1622. Em 4 de outubro de 1625, Gonçalo ergueu no engenho uma capela em homenagem a São Gonçalo do Amarante — de arquitetura simples, ela permanece de pé até hoje.
As terras passaram a sua filha, Dona Vitória de Sá, e foram dadas como dote a seu marido, Dom Luiz de Céspedes, governador-geral do Paraguai, em 1628. Com a morte de Dona Vitória, em 1667, a extensa propriedade foi destinada aos Monges Beneditinos — o mesmo testamento que abre a cadeia dominial documentada na página Origem das Terras.
“Nessas terras, os beneditinos possuíram três fazendas: Engenho do Camorim, Engenho da Vargem Pequena e Fazenda de Vargem Grande. Cercadas pelo mar e por uma cadeia de montanhas chamada Pedra Branca, essas terras eram extremamente úmidas…”
SciELO · Revista Brasileira de História — estudo sobre a comunidade camponesa de Vargem Grande
Seção 02A Fazenda de Vargem Grande
No século XVIII, o beneditino Frei Lourenço da Expectação Valadares criou a Fazenda de Vargem Grande, na antiga Estrada de Guaratiba — atual Estrada dos Bandeirantes. Suas ruínas ainda existem no chamado “Sítio das Pedras”, nº 10.636.
Na economia da fazenda, prevaleceu primeiro a cana-de-açúcar e, depois, o ciclo do café. Com o declínio do café no século XIX e o reflorestamento das encostas, a banana firmou-se como a cultura predominante do maciço — atividade que ainda hoje marca a paisagem agrícola do bairro.
Seção 03A fazenda do BCM — 1891
Em 1891, os beneditinos venderam todo o seu latifúndio à Companhia Engenho Central de Jacarepaguá e, desta, ao Banco de Crédito Móvel. Em 1936, parte das terras passaria à Empresa Saneadora Territorial Agrícola (ESTA). É a cadeia dominial do portal, aqui confirmada por fontes independentes sobre a história do bairro.
A continuidade da titularidade do BCM em Vargem Grande é registrada inclusive por fontes locais não ligadas ao portal — o que reforça, de fora, a tese central de que a instituição jamais deixou de existir. A análise jurídica completa está em Banco de Crédito Móvel.
Seção 04O “Sertão Carioca”
Por sua distância e ruralidade, a Zona Oeste foi apelidada de “Sertão Carioca” — título do livro de Armando Magalhães Corrêa (1889–1944), publicado em 1936, que registrou a paisagem e a vida camponesa da região por volta de 1930.
Esse caráter sobreviveu: ainda hoje, sobretudo em Vargem Grande, há núcleos familiares que vivem da agricultura, com identidade rural marcada, cachoeiras e trilhas no maciço. A partir dos anos 1990, contudo, um surto de urbanização começou a alterar a paisagem agrícola.
Seção 05A Pedra Branca e o Quilombo Cafundá Astrogilda
Boa parte de Vargem Grande está dentro do Parque Estadual da Pedra Branca, criado pela Lei Estadual nº 2.377, de 28 de junho de 1974. Com cerca de 12.500 hectares, é considerado a maior floresta urbana do mundo, e abriga o Pico da Pedra Branca (1.025 m), ponto culminante do município.
No interior do parque resiste o Quilombo Cafundá Astrogilda — testemunho vivo do período escravista e das rotas de fuga, e hoje uma das áreas mais preservadas do bairro.
Seção 06Cartografia histórica
Cartas do acervo da SPU cobrem o território de Camorim à Pedra Branca, contexto físico das antigas fazendas beneditinas.
Fonte: Acervo Histórico da SPU (memoria-spu.gestao.gov.br).
FontesReferências desta página
Documentos cartoriais específicos de Vargem Grande (escrituras, promessas de compra e venda e peças dos leilões judiciais que envolvem o BCM) serão integrados. Fontes adicionais: contato@verdadeirahistoriadabarra.com.br.