Origem por bairro · Do areal de restinga ao bairro-jardim

Recreio dos Bandeirantes

Um imenso areal de restinga até os anos 1920 — e terra do Banco de Crédito Móvel, que a loteou em duas glebas. A história do Recreio reúne a cadeia dominial do BCM, o loteamento pioneiro de um americano e o projeto urbanístico de cidade-jardim de 1953.

Loteamento anos 1920Terras do BCM · duas glebasCidade-Jardim 1953Praias Prainha · Grumari
Introdução

O Recreio dos Bandeirantes é um dos bairros mais novos do Rio — e um dos que melhor preservam a paisagem original da restinga. Sua história recente, de cerca de um século, está diretamente ligada à mercantilização da terra e à produção imobiliária de meados do século XX.

No centro dessa história está o Banco de Crédito Móvel: as terras do Recreio pertenciam ao BCM, que as loteou em duas glebas. Este é mais um elo da cadeia dominial documentada na página Origem das Terras.

Seção 01De onde vem o nome “Recreio dos Bandeirantes”

A origem do nome está na produção imobiliária do início do século XX. A partir dos anos 1920, o americano Joseph Wesley Finch adquiriu uma das glebas e passou a lotear e vender terrenos à beira-mar, organizando excursões para atrair compradores.

Muitos dos compradores eram paulistas, que ergueram casas de veraneio na orla. Por isso, a gleba de Finch passou a ser conhecida como “Recreio dos Bandeirantes” — em referência aos paulistas — e foi registrada como Jardim Recreio dos Bandeirantes. Mais tarde, todo o bairro adotou o nome.

“As terras pertenciam ao Banco de Crédito Móvel, que as loteou em duas glebas. Joseph Weslley Finch comprou, nos anos 20, uma delas… a gleba de Finch passou a ser conhecida como Recreio dos Bandeirantes, e foi registrada como Jardim Recreio dos Bandeirantes.”

Origem do nome dos bairros do Rio de Janeiro · síntese de fontes públicas (Diário do Rio; Dicionário de Favelas)

Os topônimos vizinhos — Sernambetiba, Itapuã, Itaúna — preservam, por sua vez, a memória da presença dos povos originários na ocupação da região, muito antes da mercantilização da terra.

Seção 02Restinga, lagoas e praias preservadas

Até 1920, o território do Recreio era um imenso areal deserto. Sua vegetação original — restinga, areal e pântano — somada à distância do Centro e da Zona Sul, manteve a área isolada por muitas décadas.

1920
o areal começa a ser loteado
2
glebas em que o BCM dividiu a área
Prainha
e Grumari — praias preservadas
Chico Mendes
e Marapendi — parques naturais

Esse isolamento legou ao bairro um patrimônio ambiental hoje protegido nos Parques Natural Municipal de Marapendi e Chico Mendes, e nas praias da Reserva, Macumba, Recreio, Prainha e Grumari — algumas das mais preservadas do litoral carioca.

Seção 03As glebas do BCM

O ponto de partida da urbanização do Recreio é dominial: as terras pertenciam ao Banco de Crédito Móvel, que as dividiu em duas glebas para loteamento. É a continuidade direta da cadeia que vem do Mosteiro de São Bento e das escrituras de 1891.

1667–1891 · Cadeia
Mosteiro de São Bento → Engenho Central → BCM
As terras da Baixada de Jacarepaguá, incluindo a faixa do Recreio, integram o latifúndio que os beneditinos venderam em 1891 à Companhia Engenho Central e, desta, ao Banco de Crédito Móvel.
Escrituras de 1891 · 6º Ofício de Notas (ver Origem das Terras)
Anos 1920 · Loteamento
BCM → glebas → Joseph Wesley Finch
O BCM lotea a área em duas glebas. O americano Joseph Wesley Finch adquire uma delas e inicia a venda de terrenos à beira-mar, dando origem ao nome e ao registro como Jardim Recreio dos Bandeirantes.
Hemeroteca Digital · Biblioteca Nacional
!
Escopo

A regularidade da titularidade do BCM, a “extinção” de 1964 e os litígios atuais são tratados — com fontes — em A Extinção do BCM e Ataques ao BCM.

Seção 04Finch e os “bandeirantes” paulistas

A dificuldade de acesso era enorme. Para atrair compradores, Finch organizava excursões que partiam da Cinelândia, passavam por Madureira, Jacarepaguá e a Estrada dos Bandeirantes, até a Praia do Recreio — oferecendo até feijoada à beira-mar.

O modelo de veraneio à beira-mar, adotado sobretudo por famílias paulistas, fixou a identidade do bairro: um “recreio” — lugar de lazer e descanso — “dos bandeirantes”. A homenagem aos desbravadores do Brasil colonial completou o batismo.

Seção 05O projeto de cidade-jardim (1953)

Em 1953, o Projeto de Urbanização do Recreio dos Bandeirantes (PA 6028), do engenheiro e urbanista José Otacílio Saboya Ribeiro, deu novo ritmo à ocupação. Inspirado nos ideais anglo-americanos da Cidade-Jardim, previa a integração ambiental e comunitária, conciliando a natureza local com o desenvolvimento urbano.

Entre 1958 e 1959, a Companhia Recreio dos Bandeirantes implementou o projeto e vendeu os lotes desmembrados da chamada Gleba B — boa parte comercializada a partir de um barracão junto à Pedra do Pontal. A lógica de crescer “sem devastar totalmente a natureza” ajuda a explicar por que o bairro ainda conserva tanta área verde.

PeríodoMarcoAgente
Cadeia 1891Aquisição das terrasBanco de Crédito Móvel
Anos 1920Loteamento da gleba à beira-marJoseph Wesley Finch
1953Projeto de Urbanização (PA 6028) — cidade-jardimJosé Otacílio Saboya Ribeiro
1958–59Implementação e venda da Gleba BCompanhia Recreio dos Bandeirantes

Seção 06Cartografia histórica

Plantas do acervo da Secretaria do Patrimônio da União documentam a faixa litorânea do Recreio e da Baixada — inclusive o registro do Jardim Recreio dos Bandeirantes.

Fonte: Acervo Histórico da SPU (memoria-spu.gestao.gov.br). Os links abrem o item original.

FontesReferências desta página

Cadeia dominial
Origem das Terras da Barra
Página deste portal · escrituras de 1891 (Mosteiro → Engenho Central → BCM)
Loteamento
Recreio dos Bandeirantes S.A. / gleba Finch
Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional · anúncios de loteamento
Urbanização
Projeto PA 6028 (1953)
Eng. José Otacílio Saboya Ribeiro · modelo de cidade-jardim
Cartografia
Acervo Histórico da SPU
Jardim Recreio dos Bandeirantes; linha do preamar; estrada litorânea
!
Em construção

Esta página será enriquecida com os anúncios originais de loteamento (Hemeroteca) e digitalizações das plantas da SPU. Fontes adicionais: contato@verdadeirahistoriadabarra.com.br.